quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Patrão nosso de cada dia


O telefone toca
Recebe a notícia de que precisava se apresentar para responder a um pedido de emprego.  A empresa, ainda nova na cidade ofertava salários promissores e soava como um tilintar de pepitas de ouro aos olhos de quem imagina. Tão logo teve que passar a noite na estrada para se apresentar no outro dia, já que se tratava de um emprego em outra cidade.
Ao chegar à região andou e procurou por todos os hotéis por uma cama qualquer, só queria passar a noite. Não encontrando viu-se obrigado a pernoitar num Motel, a época era de festas e não havia vaga numa pousada sequer.
Tentou dormir por horas e de tanto rolar já até se imaginava nas cenas de sacanagem que poderia participar de tanto que ouvia gemidos por decima o forro do pequeno motel. Eram tantos que se pegava ora gostando, ora odiando. As vezes despertava do cochilo achando que era um grito de socorro, depois ficava puto ao lembrar que estava ouvindo gemido de mulher.
No dia seguinte do qual não conseguira dormir, foi saindo do motel ainda a pé, e ao se dirigir pra parada de ônibus foi surpreendido com um “tropelão”,  quase morre antes mesmo de começar a viver, já que o sono era nítido em seus olhos fundos, a roupa um pouco mal passada e o andar de quem não comia a horas... Leva um desaforo do motorista que em sua razão ao invés de gritar com uma mão pro alto, deveria estar com as duas já que não matou o infeliz e assim agradecer aos céus.  Aquele dedo furtivo sugere a sequência e assim caminha a humanidade... Ao que lembro de ouvir o nome do motorista acabou sendo Filho da Puta.. Tão estranhamente este ficava gritando seu nome o tempo todo... Filho da Puta, Filho da Puta... Parecia louco...
Já ao chegar à empresa, após passar horas no banheiro lavando o rosto e ajeitando o terno surrado ouve a secretária chamando para apresentação. O senhor vai falar com o doutor Emanuel, encarregado da admissão, pode entregar o encaminhamento pra ele mesmo. Sim, rolava um Qi. Ao entrar na sala com sorriso carimbado no rosto o que se via era surpresa, novamente se ouvia aos berros... Seu Filho da Puta, Filho da Puta bêbado e tarado!!!

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