É comum ouvirmos a frase que diz
para valorizarmos as pessoas enquanto ainda a temos, porém trata-se de um
conselho que tão logo esquecemos. Ninguém quer viver pensando em coisas ruins
que possam acontecer e para dizer a verdade, é bem melhor não sofrer por
antecipação.
Todavia, compreendo agora, embora
com certa dificuldade o que esse conselho quis dizer, aos poucos vou adentrando
na vida e adquirindo ano após ano, algumas rugas, fios de cabelos brancos, cicatrizes
e arranhões que vão aos poucos marcando memórias em meu corpo, visivelmente
cansaço, mas também na alma.
Ah, a memória, que dom tremendo é
esse de poder lembrar, fechar os olhos e sentir saudade de coisas tantas
vividas, arrepender-se ou não, aprender... A vida é mesmo cheia dessas coisas,
foram tantos amigos que se foram, aquele parente querido, a falta de dizer uma
última mensagem, um último abraço e um último perdão.
Acredito que o mundo que nos
cerca, as pessoas com quem convivemos são mesmo os responsáveis por essas
memórias, por essa saudade do que se foi e bem por isso, quando envelhecemos
começamos a perceber que chegou a hora para alguns, passamos a frequentar
velórios com maior brevidade e lamentamos essa vida que se fora, as doenças
surgem para aqueles que eram tão saudáveis, as ciladas da vida pregam suas
peças, a dor se torna mais constante e falsa amiga.
Por isso, caro amigo leitor,
quero externar o quão valiosa são essas palavras, esse conselho para
valorizarmos as pessoas enquanto ainda a temos, desfazer as amarras que nos
prendem ao rancor, ódio, arrogância e tantas outras negatividades, nada disso
importa, o importante na vida é saber o valor do perdão e mais ainda ter para
perto as pessoas que nos são importantes. Não deixemos para amanhã aquele
abraço, aquela risada e o carinho que podemos trocar com o próximo, simplesmente
nos desarmando.
Desarme-se.
